Licença-paternidade 2026: o que muda com a nova lei

Depois de quase 40 anos, a licença-paternidade foi ampliada por lei. Veja quantos dias você tem hoje, como será o aumento e quem passa a ser protegido.

Nascer um filho e ter só cinco dias com a família sempre pareceu pouco. Em 2026, isso começou a mudar: uma nova lei ampliou a licença-paternidade e criou o salário-paternidade. Mas há um detalhe que confunde muita gente — o aumento é gradual. Vamos explicar exatamente o que já vale e o que ainda vem.

Em resumo: a Lei nº 15.371/2026, sancionada em março de 2026, ampliou a licença-paternidade e criou o salário-paternidade. Porém, o aumento dos dias é escalonado: hoje ainda valem os 5 dias da Constituição; a ampliação começa em 2027 e chega a 20 dias em 2029.

Por que essa lei existe?

A Constituição de 1988 garantiu a licença-paternidade, mas deixou para uma lei futura definir o prazo — o que nunca havia acontecido, ficando valendo os 5 dias provisórios. O STF chegou a reconhecer essa omissão do Congresso (na ADO 20) e deu prazo para que uma lei fosse aprovada. A resposta veio com a Lei nº 15.371/2026.

Quantos dias eu tenho hoje?

Neste momento, seguem valendo os 5 dias. A ampliação prevista na nova lei é progressiva, pelo seguinte calendário:

  • Até o fim de 2026: 5 dias (regra atual);
  • A partir de 1º de janeiro de 2027: 10 dias;
  • A partir de 1º de janeiro de 2028: 15 dias;
  • A partir de 1º de janeiro de 2029: 20 dias.

Ou seja: quem for pai agora ainda tem os 5 dias, mas o benefício dobra já em 2027 e segue crescendo.

O que é o salário-paternidade?

Além de ampliar os dias, a lei criou o salário-paternidade, um benefício pensado para garantir renda ao pai durante o afastamento e para ampliar a proteção a quem antes ficava de fora. Passam a ser alcançados, por exemplo:

  • microempreendedores individuais (MEIs);
  • trabalhadores domésticos;
  • trabalhadores avulsos;
  • segurados especiais (como os do trabalho rural em regime familiar).

Assim, o direito deixa de ser algo restrito a quem tem carteira assinada em empresa tradicional.

A licença é remunerada? A empresa pode descontar?

A licença-paternidade é remunerada. O pai se afasta sem perder o salário nem o emprego, pelo número de dias garantido para a data do nascimento ou da adoção. Descontar esses dias ou pressionar o trabalhador a “compensar” a licença não é permitido — é um direito, não um favor.

Vale para adoção?

Sim. A licença-paternidade também se aplica nos casos de adoção, nas condições da legislação. A ideia é assegurar a presença do pai (ou do adotante) nos primeiros e importantes dias de convivência com a criança.

E se a empresa negar ou dificultar?

Negar a licença, descontar os dias ou retaliar o trabalhador por tirá-la é irregular. Se isso acontecer, guarde os documentos (certidão de nascimento ou termo de adoção, comunicações com a empresa) e busque orientação. Vale lembrar que o trabalhador pode buscar seus direitos mesmo ainda empregado, com sigilo.

Dica prática: avise a empresa com antecedência quando possível e formalize por escrito (e-mail, mensagem). Ter registro da comunicação evita mal-entendidos e protege você.

Perguntas frequentes

Por enquanto, os 5 dias da Constituição. A ampliação da nova lei é gradual: 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 em 2029.
10 dias a partir de 1º/01/2027, 15 dias a partir de 1º/01/2028 e 20 dias a partir de 1º/01/2029. Até lá, valem os 5 dias atuais.
Um benefício criado pela lei para garantir renda no afastamento e ampliar a proteção a MEIs, domésticos, avulsos e segurados especiais, além do trabalhador com carteira.
Não. A licença é remunerada. O pai se afasta sem prejuízo do salário e do emprego pelo número de dias garantido em lei.
Sim. A licença-paternidade também se aplica em caso de adoção, nas condições da legislação.
Empresas do programa já podiam ampliar a licença. A nova lei estende e organiza a ampliação para os trabalhadores em geral, de forma gradual, e cria o salário-paternidade.

Conclusão

A ampliação da licença-paternidade é uma conquista importante — mas, para não gerar frustração, é preciso entender que ela chega por etapas. Hoje, ainda são 5 dias; a partir de 2027, o benefício cresce até alcançar 20 dias em 2029, acompanhado do novo salário-paternidade e da proteção a mais categorias de trabalhadores.

Se você vai ser pai e a empresa negar, descontar ou dificultar a sua licença, isso não está certo. Guarde os documentos e busque orientação — cada caso tem detalhes próprios, e conhecer seus direitos é o primeiro passo.

Leitura recomendada: Trabalhadora Gestante e Mulher e Direitos que quase ninguém conhece.

Fontes oficiais: INSS · Ministério da Previdência Social · Presidência da República (legislação).

Conteúdo informativo, atualizado até julho de 2026, em conformidade com as normas da OAB. Não substitui a análise individual do seu caso.

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